sexualidade e emoções

Confete, Serpentina e Pilula Azul PDF Imprimir E-mail
Ter, 10 de Abril de 2012 13:27

Entrevista Concedida ao Diario de Pernambuco - PE por Semiramis Cavalcanti em 12/02/2012 - 09:52

Segundo fabricantes, consumo de remédio para disfunção erétil cresce 10% nesta época.
E os jovens são os"usuários" de ocasião
Mirellla Marques

.

Fevereiro é o mês mais aguardado pelos fabricantes de remédios para disfunção erétil
no Brasil. Por causa do carnaval, as vendas crescem 10% em comparação a outras
épocas do ano segundo dados da Bayer, laboratório que fabrica o Levitra, e informações
de farmácias locais. O curioso é que, de acordo com os urologistas, esses usuários de
ocasião são jovens que não apresentam problemas de ereção e compram os remédios
sem indicação médica. Medo de falhar na hora “H”, pique para aguentar horas de orgias
e curiosidade são alguns dos motivos que explicam o novo comportamento. Muitos
ignoram os efeitos colaterais: enxaqueca, rubor facial e priapismo prolongado (ereção
dolorida). Mas os jovens não estão imunes à dependência psicológica. A longo prazo,
eles podem perder a confiança e achar que só vão conseguir ter uma relação sexual com
a ajuda desses remédios.

Um advogado pernambucano de 30 anos, que preferiu não se identificar, usa o Viagra
há mais de cinco anos. Ele começou a tomar o remédio por incentivo dos amigos, antes
de sair com garotas que conhecia em baladas da Zona Sul do Recife. A medicação era
combinada a álcool. Hoje, ele continua usando o comprimido para “dias de estresse”.
“As mulheres estão exigentes. O homem precisa estudar, trabalhar, ganhar dinheiro e
satisfazê-las na cama. E a gente quer ser bom em tudo, essa é a verdade. Por isso, não
acho errado recorrer a remédios para aumentar a performance”, admitiu. Há um mês, ele
aproveitou a promoção de uma farmácia e comprou cinco caixas do genérico do Viagra.
Três estão guardadas para o carnaval.

O chefe do setor de urologia do Hospital das Clínicas (HC) da UFPE, Fábio Vilar,
lembra que o universo de jovens que realmente apresentam problemas de ereção e
precisam tomar essas drogas não chega a 5% do total. “Muitos jovens aproveitam o

carnaval, que é uma época onde terão mais de uma parceira, para recorrer ao Viagra e
similares. Mas o remédio, por si só, não aumenta o número de relações sexuais”,
garantiu. O especialista alerta que a maioria dos homens jovens compra os remédios
sem receita médica, o que pode causar problemas à saúde. Principalmente quando o
comprimido é associado a outras drogas como álcool.

“Casos de morte são raros mas o uso do Cialis ou Levitra pode causar descontrole da
pressão arterial até nos mais jovens”, disse o urologista Felipe Dubourck de Barros.
Diante de tanta propaganda, até mulheres já usaram. “O sexo ficou melhor”, garantiu
uma publicitária de 28 anos. De acordo com os médicos, o efeito foi psicológico. “O
remédio só age na vasodilatação do pênis, não aumenta a sensibilidade dos genitais”,
assegurou o urologista Guilherme Lima. O colega de profissão Mauro Catunda
informou que os homens com menos de 35 anos podem ficar condicionados. “Aacham
que só terão ereção com a droga. Isso é preocupante”.

Para a terapeuta sexual Semíramis Prado, os homens estão mais focados na quantidade
do que na qualidade das relações. “Querem ter três, quatro relações sexuais por noite.
Mas isso às vezes é difícil, até para os mais novos. Pela experiência que acumulei no
consultório, percebo que as mulheres querem que os homens se dediquem mais às
preliminares”. A especialista acredita que muitos jovens que recorrem aos
medicamentos para impotência sexual são pessoas inseguras ou com baixa autoestima.
“Eles deveriam fazer terapia. Sexo é sintonia”.

 

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