sexualidade e emoções

GRAVIDEZ E SEXUALIDADE PDF Imprimir E-mail
Seg, 18 de Agosto de 2014 23:27

Homens e mulheres ainda sentem constrangimento para falar sobre sua própria sexualidade.

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Muitos casais desconhecem os desejos e as áreas erógenas que mais excita um ao outro.

 

A cumplicidade, o diálogo e a afetividade são aspectos essenciais para que o casal possa sentir-se tranquilo e à vontade para viver a sexualidade com alegria e prazer.

 

Quando o casal está num relacionamento em equilíbrio e maturidade, as dificuldades do dia-a-dia são administradas com serenidade e positivismo.

 

A gravidez para a mulher é uma fase da vida de grandes transformações físicas e emocionais.

 

Pode ser um momento de grande alegria pelo filho tão desejado, como também, uma fase de intensa angústia e sofrimento por uma gravidez não programada.

 

É uma fase da existência humana feminina de intensas emoções, dúvidas e expectativas diante das transformações físicas que são percebidas e vivenciadas a cada mês.

 

A sexualidade da mulher grávida dependerá de como ela percebe, avalia e valoriza este momento de mudanças físicas e emocionais.

 

Emoções e sentimentos se misturam envolvendo alegria, entusiasmo, tristeza, ansiedade e em alguns casos a depressão.

 

A preocupação como vai desenvolver a gestação, o parto e o pós-parto, no que se refere às mudanças corporais e os cuidados com o bebê.

 

A atenção e o carinho do parceiro e da família são aspectos fundamentais para uma gravidez tranquila, no que se refere ao quadro emocional da gestante durante os nove meses.

 

Ao observar algum comprometimento no estado emocional da paciente, o encaminhamento para o acompanhamento psicológico se faz necessário pelo seu obstetra, pois, desta forma, poderá se trabalhar preventivamente no desenvolvimento de sintomas depressivos.

 

Nos primeiros três meses da gravidez, na grande maioria dos casos, o incômodo dos enjoos e o temor de perder o bebê, desestimulam as mulheres no interesse sexual.

 

Quando o obstetra afirma que o casal deve abster-se do sexo por ser uma gravidez de risco, ninguém contesta, sequer procura saber o que é ou não permitido.

 

Emocionalmente o casal fica mais fragilizado, passando a evitar qualquer contato sexual.

 

O obstetra, nestes casos, é importante orientar o casal que pode ser uma fase de grandes descobertas amorosas, novas formas de vivenciar a intimidade e o prazer de tocar o corpo do outro, sem riscos para a gravidez.

 

Sexualidade não é apenas viver o prazer da penetração, mas está presente em todo o corpo, através do beijo, do toque sensual e carinhoso no corpo um do outro.

 

Saber que o parceiro pode atingir o orgasmo através de outras formas de estimulação sexual, não exclusivamente com a penetração vaginal.

 

A criatividade sexual pode entrar em cena através dos jogos eróticos, novas posições e fontes de prazer, transformando tudo numa grande aventura, onde cada um expressa seus sentimentos e afetividade.

 

Os casais que não sofrem restrições quanto à relação sexual, também necessitam ser orientados pelo ginecologista para continuar vivenciando com tranquilidade a sexualidade, desmistificando os mitos e tabus relacionados à sexualidade da mulher grávida.

 

Vários fatores conscientes e inconscientes interferem na sexualidade do casal grávido que podem inibir o desejo sexual.

 

No início da gravidez muitas gestantes manifestam sintomas como náuseas, vômitos, hipersonia e o grande temor do aborto, por acreditarem que o feto ainda não está suficientemente aderido ao útero. Portanto, estes fatores comprometem diretamente o desejo sexual.

 

Os aspectos regressivos que ocorrem desde o início da gravidez, fazem com que a gestante se identifique com o feto e se torne mais sensível e vulnerável com intensa necessidade de proteção e carinho. Volta-se para si mesma, como forma de proteção. É uma fase de introspecção, evitando e se distanciando de qualquer situação que interfira neste processo.

 

Outras mulheres encontram na gravidez a liberdade de viver a sexualidade de forma mais espontânea, sentindo-se mais atraentes.

 

Alguns homens passam a evitar o contato sexual com suas parceiras durante a gestação, podendo desenvolver vários sentimentos antagônicos e conflituosos que, em muitos casos, estão relacionados à sua história de vida e crenças religiosas.

 

Nos casos em que a gravidez não foi desejada, ou não fazia parte dos planos naquele momento da vida, a mulher pode iniciar um sentimento de rejeição, não apenas pela gravidez, mas também pelo companheiro, culpando-o pela gravidez.

 

Outros fatores também interferem na qualidade de vida sexual da gestante, como abortos espontâneos anteriores, o sobrepeso, problemas emocionais (ansiedade e depressão) e baixa autoestima relacionada à sua aparência física.

 

As questões relacionadas à estética também influenciam homens e mulheres, pois alguns homens não sentem atração pelo corpo de uma mulher grávida, outros homens acentuam o desejo sexual pela parceira nesta fase. Da mesma maneira acontecem com as mulheres, algumas se sentem mais atraentes, outras desenvolvem sentimentos inadequados que dificultam o desenvolvimento psicológico mais tranquilo durante os nove meses e no pós-parto.

 

No segundo trimestre da gravidez a mulher sente-se mais segura e confiante com o processo gestacional, refletindo no humor e na sexualidade.

 

No terceiro trimestre de gestação, quando o corpo da mulher se desenvolve, não permitindo posições tradicionais, alguns casais não se sentem à vontade para novas posições, dificultando o desempenho sexual.

 

Após o parto, passado o período de restrições das relações sexuais, muitas mulheres continuam desestimuladas sexualmente pela insegurança e o estresse relacionados à mudança da rotina de vida com a presença de um bebê recém-nascido no lar.

 

A amamentação e as mudanças hormonais, também interferem no retorno da vida sexual mais estimulante.

 

Com o passar do tempo, na medida em que a mãe, o pai e o bebê vão se adaptando a uma nova realidade de vida, a sexualidade recomeça a ter um espaço importante no relacionamento do casal.

 

Em alguns casos, infelizmente, os casais não conseguem retornar à vida sexual prazerosa que vivenciavam antes da gravidez, necessitando ser orientados pelo ginecologista a procurar orientações de um psicólogo com especialização em terapia sexual, no sentido de avaliar mais detalhadamente os fatores desencadeantes desta dificuldade.

 

É de fundamental importância o casal procurar a terapia com brevidade, no início das primeiras dificuldades no relacionamento sexual, evitando, desta forma, que a disfunção sexual se prolongue ao longo dos anos, levando a traumas na esfera sexual e, em alguns casos, separação do casal.

 

O trabalho multidisciplinar é sempre o melhor caminho para a superação dos problemas físicos e emocionais da mulher grávida.

 

O ser humano sendo percebido como um todo, onde os problemas físicos interferem na mente e vice-versa.

 

Semíramis Prado

 

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