sexualidade e emoções

INSEGURANÇAS DOS JOVENS NO PRIMEIRO RELACIONAMENTO SEXUAL PDF Imprimir E-mail
Qua, 22 de Abril de 2015 23:51

A sexualidade é a expressão do desejo, do amor e da comunicação com o outro.

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A adolescência é uma fase de muitas mudanças físicas e emocionais, principalmente, no que se refere às percepções de si mesmo e do mundo que o cerca.

Estas mudanças não são vivenciadas da mesma maneira por todos os adolescentes. Cada um está inserido num contexto familiar e social diferentes, que interferem no desenvolvimento psicossocial.

No que se refere aos adolescentes do Brasil, cada região tem sua cultura, seus hábitos e realidade econômica que influenciam diretamente no comportamento.

Muitos adolescentes vivenciam essa trajetória do desenvolvimento psicossexual com sentimentos conflituosos e inseguranças, diante das pressões sociais, que se constitui numa fonte geradora de ansiedade, medos e emoções intensas e contraditórias.

O adolescente está num processo de desenvolvimento biológico, psicológico, social e sexual. Neste contexto, as mudanças físicas, as novas construções de valores, responsabilidades e as relações com os grupos sociais são experiências desafiadoras que, em muitos casos, geram problemas emocionais, dificultando uma adaptação tranquila e satisfatória no seu contexto familiar e social.

 

As cobranças e comparações no que se refere às mudanças corporais e sua aparência física.

 

Muitos jovens sentem-se inferiorizados e inseguros em relação à sua aparência física, dificultando sua autoestima nas relações amorosas e sexuais.

Nesta fase da vida os jovens iniciam a busca pela autonomia, tornando-se mais independentes dos pais, não aceitando, consequentemente, orientações e direcionamentos que seguiam anteriormente.

Os amigos mais próximos e os virtuais tornam-se a referência no seu comportamento e na forma como percebem o mundo à sua volta.

O período da adolescência engloba a segunda década da vida, de 11 a 20 anos de idade.

A adolescência envolve duas fases com características diferentes, mas interligadas que é a puberdade e a adolescência.

A puberdade é o período das mudanças físicas e a adolescência compreende todas as mudanças sociais e emocionais dessa faixa etária.

 

 

Algumas características do comportamento dos adolescentes:

 

busca de si mesmo (quem sou eu?);

valorização do grupo social;

crises religiosas (dúvidas e questionamentos sobre as doutrinas religiosas);

reivindicam seus direitos e opiniões;

iniciam numa atitude progressiva de separação dos pais;

mudanças contínuas de humor;

insatisfação com o mundo e a realidade de vida que se encontra inserido socialmente.

 

A masturbação é uma prática comum na infância. Estende-se até o final da vida, mas torna-se mais intensa na adolescência. Entretanto, muitas inseguranças, medos, mitos e culpa estão presentes na prática masturbatória dos jovens, principalmente para as meninas, onde o sentimento de culpabilidade encontra-se mais acentuado e conflituoso.

As questões culturais e religiosas influenciam diretamente na prática masturbatória dos adolescentes. As meninas tendem a se masturbar com menos frequência do que os rapazes, reflexo de uma educação sem informações e esclarecimentos sobre o desenvolvimento da sexualidade.

A masturbação é uma atividade sexual importante para o autoconhecimento, repercutindo positivamente nas suas futuras relações sexuais.

Muitas mulheres adultas não conseguem atingir o orgasmo nas suas relações sexuais, por nunca ter se tocado e procurado se conhecer sexualmente na fase da adolescência.

O desconhecimento e a falta de orientações na área da sexualidade, infelizmente, podem dificultar as relações sexuais de homens e mulheres, interferindo no desempenho sexual e no desenvolvimento de futuras disfunções sexuais.

Muitos jovens apresentam dificuldades no controle da ejaculação (ejaculação precoce) por, na maioria das vezes, se preocuparem em atingir o orgasmo e ejacular rapidamente, na preocupação de não serem percebidos. Nesta prática, condicionam-se de tal forma que, posteriormente, nas relações sexuais com a(o) parceira(o), não conseguem controlar a ejaculação.

Nas meninas as questões relacionadas à virgindade e inexperiência sexual nas descobertas do próprio corpo, dificultam assumir com maturidade e espontaneidade suas futuras relações sexuais.

A primeira vez de um jovem é um momento de intensas emoções e expectativas em relação ao seu desempenho. Muitos rapazes não recebem orientações adequadas dos pais e iniciam suas primeiras experiências sexuais apenas com as referências que aprenderam com amigos e pela internet.

Os cuidados com a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis não estão presentes nas experiências sexuais de muitos adolescentes, tornando-os mais vulneráveis a uma gravidez indesejada e diversas doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS.

Para os meninos a primeira vez, em muitos casos, não existe um envolvimento sentimental com a(o) parceira(o). Atualmente, também para as garotas existe uma cobrança em relação ao desempenho e à iniciação sexual numa idade mais jovem, diferente das décadas anteriores.

A família e a escola têm um papel muito importante na educação sexual dos adolescentes.

Os pais, por sentirem-se, em muitos casos, constrangidos e inseguros, não conversam com seus filhos sobre questões relacionadas à sexualidade, dificultando uma relação mais aberta e confiante, onde muitos problemas sexuais poderiam ter sido evitados na vida adulta desses adolescentes.

Existem vários livros de orientação sexual para adolescentes e para os pais de crianças e adolescentes nas livrarias.

Quebrar as barreiras e os bloqueios na comunicação com os filhos é o primeiro caminho para uma educação sexual mais saudável para crianças e adolescentes.

Existe uma vasta bibliografia de grandes autores e estudiosos nesta área de educação sexual para adolescentes e seus pais, numa linguagem dinâmica e acessível para todos que desejam mais informações e esclarecimentos sobre a sexualidade humana.

O diálogo dos pais com os filhos e a afetividade são instrumentos valiosos para que o adolescente possa passar por esta fase com tranquilidade e alegria.

Não existe um padrão de educação sexual, tudo dependerá da sensibilidade dos pais para lidar com as características de cada filho e suas necessidades.

Superando com amor e compreensão as diversas mudanças e as descobertas dos filhos, principalmente, dos jovens que se identificam com sua homossexualidade, necessitam de muito amor e aceitação de seus pais.

A escola, também, tem um papel importante neste processo educativo.

Faltam profissionais e educadores mais preparados em educação sexual nas escolas.

Sensibilizar as escolas para a importância da educação sexual é um processo que necessita de mais incentivo pelos profissionais especializados no estudo da sexualidade humana e pelos governos municipais e estaduais das escolas públicas.

A educação é fundamental em todas as esferas da existência humana, onde a sexualidade está presente neste processo do desenvolvimento físico e emocional.

Procurar a orientação de psicólogos que possam desenvolver um trabalho terapêutico e educativo com adolescentes e os pais, são aspectos fundamentais na superação dos conflitos e no esclarecimento de diversas dúvidas que interferem na qualidade do relacionamento familiar.

Uma educação mais abrangente é o melhor caminho para o desenvolvimento satisfatório dos adolescentes.

Ser feliz consigo mesmo.

 

Semiramis Prado

 

 

 

 

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