sexualidade e emoções

SEXUALIDADE NAS PRISÕES PDF Imprimir E-mail
Seg, 14 de Setembro de 2015 14:54

PE. BRUNO TROMBETTA

 

As nossas considerações se referem tão-somente a uma instituição fechada: a prisão.

É preciso antes de mais nada, fazer algumas considerações gerais, para podermos compreender toda a dimensão do relacionamento homem-prisão e suas consequências, sobretudo na sexualidade.

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1. O ambiente prisional é um contexto antinatural, isto quer dizer, que não é o ambiente normal da convivência da pessoa humana.

Justamente por causa disto a prisão é considerada por muitos, como uma instituição superada. O seu caráter primitivo, com aspectos de retaliação da sociedade sobre o infrator, e a coação que obriga o homem preso a um confinamento e a uma convivência forçada contra a sua vontade, traz consequências negativas no ser humano e na sua personalidade.

2. Estas consequências negativas no ser humano e na sua personalidade são vastas e profundas:

A primeira consequência negativa que a instituição prisional provoca no homem é o desenvolvimento da irresponsabilidade, que vai desde a eliminação ou mutilação de sua capacidade de pensar, e de sua dimensão crítica, passando pela passividade na qual ele é inserido, enquanto tudo é definido, escolhido, optado por outros em nome dele e para ele, por uma razão societária ou do Estado.

Isto gera um processo de infantilização no qual o homem preso é mergulhado, confinado ao pequeno mundo da prisão, para que se volte e se fixe neste minúsculo horizonte de alienações.

Outro aspecto provocado pela Instituição Prisional são os complexos de inferioridade: não somente se pune, se provoca a autopunição de modo a levar o homem preso à destruição de sua própria personalidade: é um homem inferior, é congênita a sua criminalidade, é irrecuperável, é um anormal, é perigoso...

Por fim poderíamos apresentar as neuroses desenvolvidas pelo Sistema do Cárcere, onde o homem preso aprende a dependência de ser incapaz de viver livre, sendo condicionado ou levado a uma claustrofobia. O relacionamento do homem preso com a administração e com os seus companheiros é envolvido por deformações como a bajulação, interesses escusos, o medo, a sobrevivência a todo custo. A amizade, o companheirismo e outros valores humanos naturais são achatados, permanecendo em muitos apenas interiormente como forma de expressão fora do contexto prisional, sem a presença dos olhares de outros detentos.

 

As consequências para a sexualidade

 

A sexualidade é uma das formas mais importantes da pessoa humana, mas nós entendemos que a sexualidade vai além da mera genitalidade. Ela deve ser entendida de uma maneira global e completa.

A primeira consequência negativa é a redução da sexualidade à mera genitalidade.

Privado de sua sexualidade o homem preso sente que a genitalidade é uma das formas que lhe resta da expressão de sua personalidade.

É uma sexualidade não amadurecida, que se alimenta da compaixão dos outros, e que não se realiza plenamente.

Esta sexualidade é usada pelo Estado como um instrumento de alienação do detento e o condiciona aos seus interesses.

A convivência sexual do detento com sua esposa ou companheira não é colocada como um direito inalienável, mas como um privilégio ou prêmio pelo cumprimento da disciplina e colaboração e participação nos interesses do próprio Estado.

As projeções de filmes eróticos nas prisões mostram uma filosofia decadente da sociedade a respeito do homem preso, assim os presos ficarão mais tranquilos e adormecidos, menos críticos s respeito dos seus direitos.

Estímulos como estes além de ofender a dignidade da pessoa humana, pois nem foram motivos de uma escolha livre, provocam formas evasivas e nocivas da sexualidade como a masturbação e o homossexualismo, como formas de neuroses, de intranquilidade, de autodestruição e de violência entre os detentos.

Como conclusão, podemos dizer:

Toda atividade humana tem uma dimensão da sexualidade, por isso uma verdadeira educação da sexualidade deve contemplar todos os aspectos do relacionamento humano. Penso que somente a dimensão familiar ou um relacionamento tipo familiar colocará o homem preso numa situação de naturalidade e normalidade, levando-o a desenvolver dentro de si os valores fundamentais da pessoa humana. Pois é no relacionamento familiar ou na dimensão familiar que encontramos os diversos aspectos da vida humana.

 

 

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