sexualidade e emoções

AUTOEROTISMO: LIBERTAÇÃO CORPORAL DA MULHER? PDF Imprimir E-mail
Seg, 14 de Setembro de 2015 14:56

INÊS CRISTINA ANDRADE MOTTA

 

Admitir a prática da masturbação ainda parece ser difícil para muitas mulheres. É frequente relatos, em psicoterapia, do tipo: “Que nojo!” quando as mulheres se referem ao autoerotismo.

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A partir desta observação, o trabalho foi desenvolvido com a finalidade de investigar as possíveis interferências de crenças e preconceitos sobre a prática da masturbação feminina.

Foi realizada uma pesquisa de levantamento com 189 universitárias de diversos cursos de graduação (direito, comunicação, psicologia, arquitetura, medicina, entre outras), todas estudantes de uma mesma instituição particular de ensino. Verificamos a predominância de mulheres solteiras (85,72%), pertencentes à faixa etária dos 18 aos 29 anos de idade (92%) e com renda familiar acima de 16 salários mínimos (51%), entre as que responderam à pesquisa.

O instrumento de pesquisa utilizado foi um questionário contendo 29 perguntas fechadas tipo escala e 1 pergunta em aberto, mais direta e pessoal, sobre a referida prática sexual. A participação na pesquisa foi voluntária e de forma anônima.

Um doa aspectos da análise dos resultados consistiu em verificarmos as discordâncias e concordâncias em relação às interferências de crenças e preconceitos sobre o autoerotismo.

Os resultados demonstraram discordância em relação aos principais preconceitos ligados ao autoerotismo. A maioria das mulheres discordou que a masturbação seja considerada: atividade própria dos homossexuais (84,13%), pecado (83,07%), que seja necessário o uso de filmes ou revistas pornográficas para sua prática (82,01%), que possa provocar doenças (70,37%), que possa substituir a relação sexual (coito) (68,78%) e que seja um prazer egoísta (66,14%).

Estas crenças que no passado eram muito valorizadas entraram em completo declínio como observamos entre as jovens pesquisadas, a partir do conhecimento e esclarecimentos sobre esta prática, principalmente com o desenvolvimento da sexologia.

Segundo o estudo sobre crenças realizado pelo professor Faro e apresentado no IV Fórum de Sexologia (1997), as crenças se alteram continuamente ao longo do tempo. De acordo com o contexto social, cultural e a época a que pertencem.

Por outro lado as mulheres concordaram que o autoerotismo: na sua prática é preferível o toque no genital da mulher pelo parceiro mais do que o toque realizado por elas mesmas (80,95%), pode ser considerado como possível fonte de prazer (71,96%), ainda é difícil admitir sua prática para amigos e parceiro (70,90%) e que pode ser um fator de melhora da sexualidade (70,60%).

Outros pesquisadores, entre eles Rodrigues Júnior (1990), realizaram um trabalho sobre as motivações para a prática da masturbação, no qual foram entrevistadas universitárias de graduação em psicologia. Constatando que elas teriam sido reprimidas para realizar este tipo de prática sexual e demonstravam dificuldade em falar sobre o assunto, apesar da pressuposição de que fossem pessoas de “cabeça mais aberta”, ou seja, com facilidade de acompanhar mudanças e fatos novos.

Alguns registros espontâneos foram esclarecidos no próprio questionário da pesquisa, salientado e confirmando os dados encontrados por Rodrigues Júnior (1990). Entre os diversos registros podemos citar: “Que vergonha falar sobre este assunto!”; “A sociedade impõe que seja vergonhoso!”; “Isto é muito complicado!”.

Verifica-se ainda que há uma preferência em desenvolver esta prática com o parceiro e não de forma solitária.

As mulheres não percebem que no autoerotismo solitário o “parceiro” está muitas vezes com elas, menos que seja apenas na própria imaginação. E este aspecto faz com que elas estejam se relacionando com um “parceiro” “presente” nesta relação.

A prática da masturbação ocorre diferentemente para o homem e para a mulher. Os homens desde pequenos se tocam e olham diretamente, todos os dias, para o seu genital, estabelecendo um contato permanente com o seu corpo. Já com as mulheres, além de toda repressão social para que não se toquem, tal atitude também é dificultada pela formação anatômica feminina que não permite o fácil acesso visual ou tátil ao seu genital, como no caso dos homens.

A situação da mulher vem mudando, mas ela não é incentivada a explorar o próprio corpo, como é feito pelos homens.

A mulher pode soltar as amarras e se permitir usufruir do autoerotismo, assim como de outras práticas que possam enriquecer a expressão da sua própria sexualidade.

 

 

 

 

 

 

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