sexualidade e emoções

Tamanho do Pênis. Inquietações Masculinas e Soluções PDF Imprimir E-mail

Na história da humanidade o tamanho do pênis foi considerado pelas diferentes culturas como símbolo de poder e virilidade. Nos anos 60, quando os cirurgiões pediátricos operaram crianças com micropênis ou más formações congênitas, lançaram-se as bases do que seria nas décadas seguintes a divulgação de tratamentos para patologias, traumatismos que encurtavam ou afinavam o pênis, ou indivíduos normais que desejavam o aumento em comprimento ou grossura. . Este enfoque provocou controvérsia acirrada por posicionamentos contrários ou favoráveis a estes. Neste trabalho, expomos as inquietações e possíveis soluções para os portadores desta entidade. Realizamos uma revisão das opiniões de renomados especialistas que opinaram contrária ou favoravelmente a estes procedimentos. Sabemos que não é um capítulo fechado da medicina, mas apenas o início de uma discussão mais abrangente para que os profissionais da área da sexualidade humana possam ao menos, orientar aqueles que têm este sofrimento como fator limitante das suas vidas.

Não temos dúvida que discorrer sobre as inquietações do homem com essa queixa, é tarefa muito mais amena, do que propor soluções para este tipo de problema. Não porque as soluções não existam, mas pela terrível controvérsia que tais procedimentos provocam entre as mais diferentes especialidades, que se dedicam ao tratamento do homem insatisfeito com o tamanho do seu pênis.

Em uma pesquisa realizada no Jornal Village Voice de Nova York, foi solicitado a 100 homens que indicassem as partes do corpo que, em sua opinião, atraiam mais as mulheres. Ao mesmo tempo solicitou-se a 100 mulheres que expressassem as suas preferências quanto às características físicas masculinas que considerassem mais atrativas. Os homens opinaram que as mulheres admiravam sobre maneira, braços musculosos e um pênis grande no tamanho. No entanto, as mulheres declararam que estas características as repeliam e citaram outras partes do corpo como atributos mais admirados nos homens. Citaram nádegas pequenas e sensuais (39%); um corpo esbelto (15%); os olhos (11%), e apenas (2%) das mulheres expressaram que o pênis é a parte mais atrativa no homem (ENCICLOPÉDIA DE LA SEXUALIDAD, 2002, p. 115).

Pensam os autores Masters & Johnson (op. cit., 1984) que a vagina se adapta a qualquer pênis por pequeno que seja. O fato de a vagina ser mais sensível na entrada do que na profundidade, faz desnecessária uma excessiva longitude, já que os pênis pequenos aumentam mais o seu tamanho durante a ereção que os pênis maiores. Assim sendo, as comparações do pênis em estado flácido não indicam o tamanho que alcançará em ereção, e por fim que uma maioria das mulheres aprecia mais a qualidade do que a quantidade, e mais ainda, quem está por trás do pênis, do que o seu tamanho em si.

Poucos homens possuem realmente um micropênis. No Instituto Brasileiro para Saúde Sexual, em São Paulo e no Ambulatório de Sexologia do Instituto de Ginecologia da UFRJ, durante a realização de exames para diagnóstico de disfunção erétil (ROMERO & CANELLA, 2003), ejaculação precoce (ROMERO, 2003), alguns pacientes apresentavam também como queixa o tamanho de pênis. Realizamos a medição do pênis em todos os pacientes que tiveram ereção plena durante o teste fármaco-induzido com o uso de droga vasoativa. A medição foi feita com fita métrica do ângulo peno pubiano ao meato uretral, e a circunferência na base do pênis ao nível do ângulo peno pubiano e na região distal no sulco bálano prepucial, em flacidez e ereção, em comprimento e grossura em 879 pacientes com idade média de 42,74 anos, idade mínima de 18 anos e idade máxima de 83 anos. A média do pênis em comprimento flácido foi de 9,45 cm; o comprimento máximo flácido 16 cm e o comprimento mínimo flácido 2,0 cm. A média da circunferência foi de 9,34 cm, sendo a circunferência flácida mínima 5,0 cm e a circunferência máxima flácida 13,5 cm.

A média do comprimento ereto foi de 13,97 cm, sendo o comprimento ereto mínimo 5,0 cm e o comprimento ereto máximo 21,0 cm. A média da circunferência em ereção proximal foi de 12,12 cm, sendo a circunferência em ereção proximal mínima 8,0 cm e a circunferência em ereção proximal máxima 17,5 cm.

É interessante observarmos nestes dados, que as dimensões penianas encontram-se de acordo com os inúmeros trabalhos publicados por diversos autores. Podemos afirmar por estas medidas que a média de comprimento do pênis flácido é de 9,45 cm, a circunferência média 9,34, a média do comprimento ereto 13,97 cm, a média da circunferência proximal em ereção 12,12 cm e a média da circunferência distal 11,94 cm.

Em nossa experiência clínica, percebemos que a maioria dos homens que procuram atendimento profissional, com queixas de tamanho de pênis, o faz preocupada com o comprimento do pênis em flacidez e, os que mostram preocupação com a grossura do pênis, esta encontra-se relacionada ao estado de ereção para a atividade sexual, pensando que ao possuir um pênis maior na sua circunferência, isto dará maior prazer a sua companheira.

A esmagadora maioria dos homens que se preocupam com o tamanho do pênis flácido, sofre a chamada Síndrome do Vestiário. Estes homens não se expõem a outros homens, ou, sequer, às suas parceiras durante a atividade sexual, não usam sunga na praia ou na piscina e raramente usam vestes que possam marcar sua área genital. São homens que frequentemente consultaram vários médicos com esta queixa e relatam insatisfação nas consultas realizadas, por considerarem que o profissional não valorizou sua queixa, ou levou a mesma, para o lado jocoso, inclusive com comentários pejorativos sobre a não necessidade de tratamento, já que consideravam-no um homem normal. Outros foram encaminhados a um psicólogo e após algumas sessões de terapia abandonaram o tratamento proposto, já que não percebiam melhora no tamanho dos seus falos.

Temos a convicção de que se dermos a estes homens o mínimo de atenção e seriedade, ao ouvirmos o relato das suas queixas, estaremos contribuindo para que eles se sintam respeitados e percebam no profissional que os escuta, seriedade no atendimento do seu problema. Torna-se indispensável, um exame físico para avaliar os mais diferentes parâmetros que podem estar contribuindo para sua queixa. É necessário que cada um desses homens, seja submetido a um teste de ereção fármaco-induzido, com estímulo visual erótico, e com o uso de drogas pró-eréteis orais ou com drogas vasoativas intracavernosas, a fim de mensurarmos o pênis em comprimento e grossura em estado de flacidez e ereção.

Deve ser verificada a presença de gordura supra-púbica, em indivíduos obesos.

É importante a verificação de patologias como: curvaturas congênitas ou adquiridas, como a doença de Peyronie, o que provoca uma curvatura acentuada com diminuição no comprimento e na grossura do pênis.

Schouman (apud ISIR, 2000, p. 14), com experiência de 15 anos em cirurgia de alongamento em micropênis real, afirma que a maioria dos pacientes tem pênis de tamanho normal e solicitam uma faloplastia estética para um pênis grosso e longo no estado flácido, e até 25% dos candidatos são homo ou bissexuais.

Podemos observar nestes diferentes posicionamentos de cirurgiões com larga experiência nas técnicas propostas para aumento de pênis resultados promissores, assim como profissionais que deixaram de fazer os procedimentos por terem obtido maus resultados. Opinam ainda, clínicos e terapeutas a respeito do assunto tratado pareceres ambíguos, em algumas situações de forma favorável e em outras negativamente. Penso que para tratar estes pacientes devemos ter em mente o seguinte:

  1. os procedimentos cirúrgicos de aumento de pênis devem ser praticados por profissionais experientes;
  2. há uma população que independentemente dos maus resultados inerentes a qualquer procedimento cirúrgico vai procurar ajuda para realização do seu “sonho”;
  3. o profissional que se propõe aconselhar um paciente com estas queixas, deve ter uma vivência abrangente na clínica sexológica, nas técnicas cirúrgicas, nas suas complicações e na sua capacidade para resolvê-las, de preferência acompanhado sempre por uma equipe multidisciplinar;
  4. além de que um diagnóstico diferencial será fundamental para o sucesso de qualquer tratamento proposto para estes pacientes.




Alfredo Romero

Biomédico, Médico, Cirurgião Vascular, Mestre em Sexologia. Diretor do Instituto Brasileiro para Saúde Sexual (IBRASEXO).

José  Roberto Stipp

Médico, Cirurgião Vascular. IBRASEXO.

Inês Cavalieri

Psicóloga e Mestre em Sexologia. IBRASEXO.

Murilo Caldeira Ribeiro

Médico, Cirurgião Plástico. IBRASEXO.

Sara Modenez

Médica. IBRASEXO.

 

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