sexualidade e emoções

Entrar ou Não em uma Escola de Dança de Salão? PDF Imprimir E-mail

 

“Entrar em uma escola de dança é ter uma nova percepção da vida por meio do corpo onde são guardadas todas as nossas emoções”.

Edwis Torres

 

Para alguns, isso é um verdadeiro dilema: Será que vou gostar? O que os outros vão pensar? Será que vou ser aceito? Será que levo jeito pra coisa? É infinito o número de “perguntas”, então como obterei estas respostas?

Como na vida, as respostas na dança virão quando elas forem procuradas e enfrentadas. Entrar na dança de salão é um novo nascimento, mas não um nascer extra-uterino para totalmente o desconhecido, é um nascer de suas próprias entranhas, de dentro de você, do seu interior, que também não deixa de ser desconhecido (o que lhe espera lá fora?). Ou seja, é um nascer do seu corpo para conhecê-lo e descobri-lo a fim de uma reaproximação que o tempo, os afazeres e todas as intempéries da vida o afastam. Quem não tem tempo para cuidar de si é obrigado a arrumá-lo para cuidar de sua saúde. “Aguçar a sensibilidade proprioceptiva significa despertar o corpo para sentir, perceber e conhecer o que ocorre. Conectar-se a este campo perceptivo-cognitivo significa estar receptivo às próprias sensações e modificações que possam ocorrer, sem julgamentos prévios ou valorativos; É um processo de conquista da liberdade de se permitir ser o que é. Denomino esse desenvolvimento de SABER DO CORPO”. Nos seus primeiros instantes em sala de aula, você se sente estranho, alheio ao grupo, acha que tem todas as dificuldades do mundo, que todos que ali se encontram lhe fazem sentir o pior da turma e que ninguém vai querer dançar com você. Bem, você termina se sentindo ridículo com tantas dificuldades “aparentemente bobas”. Mas, essas dificuldades não são tão bobas assim, existem explicações para elas nos diversos segmentos: motor, emocional, cognitivo, mental, etc.

Entretanto, não seja egoísta a ponto de pensar que esse problema é só seu, pois todos, que ali se encontram, passaram, de uma forma ou de outra, por essa mesma situação.

De repente, você se surpreende rindo de seus próprios erros e aí você escuta: “Ah! comigo foi assim também!”. Nesse momento, você encontra o lado lúdico do aprendizado quando chega uma hora e olha o relógio e diz: “Poxa! a aula já terminou”.

Os alunos novatos tendem a centrar sua atenção no professor ou naquele colega que parece mais desenrolado, que pela perseverança e tempo em aula já faz umas letrinhas. Embora ele também tenha passado pelo mesmo processo aterrorizante (ha! ha! ha!) para chegar à sua real realidade. Uma coisa deve-se aprender desde cedo: numa sala de aula, em meio a tanta gente, a figura central é VOCÊ, bem como na vida, com tantos ao seu redor, o protagonista da sua história de vida é você. Nas dificuldades que aparecem na dança, a pessoa pode até mudar de estratégia, mas tem que enfrentá-las e superá-las. Aos poucos a sala de aula já não o aterroriza tanto, torna-se salutar o convívio com os colegas e nisso você diz de novo: “Pôxa! A aula já terminou”. Porém não esqueça começar algo novo, ou mudar uma rotina de vida, requer muita perseverança. As horas de desânimo, cansaço e até mesmo a falta de tempo, fatores que comprometem a auto- estima, necessariamente precisam ser superados, e não se deve temer as mudanças, que serão muitas.

Não devemos esquecer que a dança não substitui um processo terapêutico, contudo, não deixa de ser uma terapia, favorecendo o processo. Não deve ser encarada de forma resolutiva, como alguns fazem. Em um processo terapêutico, quando a memória consciente é mexida, muitas vezes o abandono do processo é inevitável. Com a dança não é diferente, pois movimentar o corpo também mexe com as emoções guardadas na sua memória muscular e isso hoje me faz entender como uma das justificativas para tanta rotatividade do alunado. Os movimentos são gerados a partir de energia corpórea e no seu corpo está toda sua história de vida, desde a intra-uterina. O corpo carrega as boas e más emoções, suas repressões e valores culturais e sociais. É nele que os sentimentos e emoções são guardados em forma de energia (couraças) e os movimentos fazem com que esses sentimentos e emoções sejam despertados. Portanto, o professor (facilitador) deve ao máximo respeitar o corpo do aluno, a sua história e singularidade.

Recentemente, fui entrevistada por uma aluna da UFPE, do curso de Artes Cênicas, e ela me perguntou o que eu considerava um bom aluno. Respondi que seria aquele que estivesse aberto não somente as informações, mas sim, a vivenciá-las. Depois ela me perguntou o que era a dança de salão. E falei que a dança de salão era uma varinha de condão, porém na mão de quem acreditasse nela e soubesse usá-la.

 

Edwis Torres

Dança de Salão

.
 

Enquete

Quais temas você gostaria de ler a respeito?