sexualidade e emoções

Anorgasmia - Falta do Orgasmo Feminino

A anorgasmia feminina é sem dúvida a queixa sexual mais comum nos serviços de ginecologia. Sua incidência varia com o nível sociocultural, mas persiste em ser a primeira disfunção feminina estatisticamente. João Fernando Mannocci, (1995).

Masters e Johnson foram os que mais colaboraram por desmistificar o orgasmo, afirmando que o orgasmo feminino é idêntico ao masculino.

Todo indivíduo que é submetido a um estado de crescente excitação sexual, chega a um ponto em que a tensão é tão intensa que detona um reflexo de alívio, acompanhado por uma agradável sensação de prazer psicofísico. Isto se chama orgasmo.

Muitos são as variantes que podem tornar um orgasmo melhor que o outro: a existência ou não do parceiro(a), a intensidade do estímulo, ambiente agradável ou não, fatores inibidores (crianças ou familiares por perto, símbolos religiosos no alcance da visão, e outros), a relação com o parceiro(a), etc.

Existem mulheres que nunca vivenciaram um orgasmo, independente de qualquer circunstância. Mulheres que só conseguem orgasmo com a masturbação ou na manipulação clitoriana, não obtendo com o coito, com o movimento de penetração apenas.

 

Etiologia

Kaplan, (1974) refere à ignorância sexual a desinformação sobre o sexo normal e compreensão inadequada das técnicas apropriadas de estimulação como responsáveis pela criação da disfunção orgástica.

Masters e Johnson, (1966) acrescentam que a ausência de aprendizagem sexual ou as atitudes negativas por parte dos pais contribuem para a anorgasmia.

Pouco frequente são as causas orgânicas. As causas psicológicas são as determinantes mais frequentes. São vários fatores psicossociológicos inibidores: desinformações, informações distorcidas, tabus e outros.

Homens e mulheres podem sofrer de um vazio informativo ou, pior ainda, acreditam em teorias errôneas e informações totalmente incorretas. Os ensinamentos religiosos levam frequentemente às mulheres a se sentirem perversas ou anormais se experimentarem fortes impulsos sexuais, sentimentos de vergonha e repugnância em relação aos genitais e ao funcionamento sexual.

Algumas mulheres ficam sexualmente excitadas rápido, enquanto outras reagem mais lentamente.

Decorrente dessa desinformação, muitas mulheres não são instruídas sobre si mesmas sexualmente e não aceitam a responsabilidade por sua sexualidade, mas esperam que o homem a desperte.

A mulher é treinada para ser passiva e para não se afirmar no controle de sua própria vida.

Kaplan, (1974), assinala que o medo de perder o controle sobre sentimentos e comportamentos é muito comum entre mulheres não orgásmicas, que os mecanismos de defesa de retenção contribuem para essa disfunção.

Atualmente a necessidade de aprender a ser sexualmente ativa e de utilizar técnicas apropriadas para obter uma maior satisfação sexual é um conceito relativamente revolucionário.

A dificuldade em obter o orgasmo é mais frequente em mulheres que tiveram uma educação repressora, castradora e associaram sexo a algo sujo ou imoral.

Um fator que leva a ansiedade é a obrigatoriedade em atingi-lo, em cobrá-lo, quer seja em si mesma ou do parceiro.

Classificação

  • Anorgasmia Primária – aquela em que a mulher nunca experimentou o clímax sexual;
  • Anorgasmia Secundária – aquela que ocorre em uma pessoa anteriormente orgástica, mas que, a partir de certo tempo, passou a bloquear sua orgasmia;
  • Situacional – em determinadas circunstâncias.

Tratamento

Segundo Kaplan, a melhor estratégia de tratamento da anorgasmia é aumentar ao máximo a estimulação sexual e reduzir os níveis de ansiedade.

A abordagem comportamental do tratamento, com suas bases na teoria da aprendizagem faz com que o orgasmo seja uma resposta aprendida. Em virtude de hábitos aprendidos, mulheres sentem ansiedade em consequência da participação no ato sexual.

Dessensibilização Masturbatória

Lobitz e Lo Piccolo (1972) desenvolveram um programa de dessensibilização pela masturbação para mulheres que nunca experimentaram o orgasmo por qualquer meio.

  • Técnicas de relaxamento;
  • Autoconsciência corporal;
  • Reforçamento positivo (Observar o corpo nu durante o banho);
  • Examinar seu genital;
  • Exercícios de Kegel (contrações e relaxamento voluntário dos músculos perivaginais);
  • Exploração genital tátil e visual com o objetivo de localizar áreas que produzem sensações agradáveis e estimulantes;
  • Masturbação manual das áreas identificadas como prazerosas;
  • Utilização de filmes eróticos;
  • Trabalhar as fantasias sexuais;
  • O(a) companheiro(a) é orientado pela mulher a estimulá-la da maneira como ela acha mais satisfatória;
  • Biblioterapia.

É importante trabalhar a comunicação entre o casal e a participação do parceiro(a) é relevante para o sucesso do tratamento.

O prazer e o desejo estão intensamente ligados. O orgasmo estimula a procura de novas emoções e sensações na sexualidade.

As mulheres que apresentam dificuldades de orgasmo, primeiramente são necessárias que façam uma avaliação com o seu ginecologista. Não havendo causas orgânicas, o mais adequado é que a cliente seja encaminhada para a terapia sexual.

Na terapia, a mulher é percebida como um todo, onde trabalhamos os aspectos emocionais, os conflitos conjugais, os cuidados com o corpo, sua feminilidade, sensualidade e principalmente sua auto-estima.

A sexualidade é um reflexo da nossa história de vida.

Semíramis Prado

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