sexualidade e emoções

Dispareunia - Dor Genital Durante o Ato Sexual

A expressão dispareunia significa etimologicamente dificuldade no coito.

A dispareunia manifesta-se como dor genital durante o coito. Virgínia Martinez, (2001).

Queixas de dispareunia são muito comumente ouvidas pelos ginecologistas, que com frequência, identificam uma causa física para as sensações de dor ou desconforto durante o intercurso. Arnold A. Lazarus, (1980).

Quando os fatores físicos foram tratados ou quando se comprova a sua ausência é que os fatores psicológicos são avaliados, então a mulher recorre à terapia sexual.

Desconhece-se a incidência real da dispareunia, fato que muitas mulheres estão dispostas a suportar certo desconforto e dor na crença de que sexo é uma obrigação conjugal e que deve suportar.

Etiologia

Enquanto vaginismo é, primordialmente de causas psicológicas a maior parte das dispareunias é de causas orgânicas.

Dispareunia de Origem Orgânica

Algumas das diversas causas da dispareunia orgânica são:

  • Endometriose;
  • Doenças gastrointestinais;
  • Infecções locais;
  • Doenças Sexualmente Transmissíveis;
  • Diabetes;
  • Doenças do ânus;
  • Vagina curta por defeito congênito;
  • Hímen não perfurado ou rígido;
  • Problemas hormonais e outros.

Causas Psicológicas

Segundo João Fernando Monnocci, (1980) e Virgínia Martinez, (2001), as causas psicológicas mais comuns são:

  • Quadros fóbico (medo de gravidez e de DSTs);
  • Inadequação diálica – problemas no relacionamento conjugal;
  • Repulsa a figura masculina;
  • Autopunição – causas educacionais e religiosas;
  • Educação sexual repressiva;
  • História sexual traumática;
  • Recuperação de enfermidades recentes;
  • Falta de desejo;
  • Ansiedade;
  • Baixa auto-estima e outros.

Tratamento

É indispensável que a mulher com problemas de dores no intercurso sexual, antes de procurar a terapia sexual, seja avaliada, primeiramente pelo seu ginecologista.

Na ausência de fatores orgânicos, o mais adequado é que a cliente seja encaminhada para a terapia sexual, afim de que possa ser avaliada através de uma anamnese, (entrevista estruturada na sexualidade), para que se possa ter um diagnóstico mais preciso e dos caminhos terapêuticos a ser utilizados.

A dor é uma experiência condicionante negativa, que leva ao temor (medo) e outras consequências emocionais.

A diminuição do desejo e da excitação são comuns em mulheres com queixas de dispareunia.

É importante avaliar a frequência, a intensidade e a duração da dor e do desconforto para se verificar o nível de dificuldade sexual e de relacionamento.

Segundo Masters e Johnson a dispareunia ocorre em qualquer idade e pode aparecer antes, durante e após o coito.

Aspectos que considero importante para se trabalhar na terapia sexual com mulheres que trazem queixas de dispareunia:

  • Esclarecimento sobre o que é a terapia sexual e explicações sobre a normalidade da sexualidade;
  • Trabalhar terapeuticamente a ansiedade e os conflitos sexuais existentes;
  • Desenvolver a auto-estima;
  • Utilizar técnicas de relaxamento e estimular a percepção das próprias sensações corporais;
  • Exercícios de Kegel: contração e relaxamento voluntário dos músculos perivaginais;
  • Biblioterapia (indicação de livros de orientação sexual);
  • Massagens não-eróticas;
  • Massagem nos genitais;
  • Cuidados com o corpo (atividade física);
  • Trabalhar a expressão da sensualidade feminina e das fantasias sexuais;
  • Dessensibilização sistemática (técnicas sexuais) que são orientadas pelo terapeuta para que a cliente realize na privacidade de seu lar;
  • A participação do parceiro na terapia é bastante significativa para o se sucesso, onde um deve acreditar que o outro é seu aliado na resolução do sintoma;
  • Suspender nas primeiras semanas da terapia, qualquer tentativa de coito, incentivando descobrir as excitações erógenas do corpo como um todo e consequentemente novas formas de viver o prazer. Só após algumas sessões, diante da melhora do quadro emocional da cliente é que progressivamente realizam-se gradualmente os exercícios de penetração, primeiramente com o dedo da própria cliente e do parceiro e posteriormente com o pênis.

O sucesso da terapia depende principalmente da relação terapeuta e cliente.

No momento em que a mulher se sente compreendida e mais consciente de suas dificuldades, através das informações terapêuticas, é aí que ela possibilita a superação do problema disfuncional. É mais fácil desnudar o corpo que a alma.

Semíramis Prado

.
 

Enquete

Quais temas você gostaria de ler a respeito?