sexualidade e emoções

Vaginismo - Dificuldades Inconscientes na Penetração

 

Segundo João Fernando Mannocci, (1995) o vaginismo trata-se de uma síndrome psicofisiológica que impede inconscientemente, parcial ou totalmente a penetração.

Contrações espasmódicas e involuntárias do músculo pubococcígio que controlam a abertura vaginal é incapaz de ter um intercurso, mas está perfeitamente capacitada para sentir excitação sexual, lubrificar-se e experimentar orgasmo.

Masters e Johnson, (1970) descreveram o vaginismo como um reflexo involuntário, devido à tentativa imaginada, prevista ou real de penetração vaginal.

Os estudos de Fuchs, Hoch e Albramavice, (1973) descrevem o vaginismo como um processo fóbico, associado ao medo de penetração, não só no intercurso, mas também no exame ginecológico.

Classificação

  • Primária – ocorre desde as primeiras tentativas de penetração;
  • Secundária – após um período de normalidade, sem dificuldades ou incômodos com a penetração;
  • Situacional – em determinadas circunstâncias.

O vaginismo pode apresentar-se em diferentes graus de intensidade. Nas formas mais simples, é possível até uma penetração vaginal, ainda que incompleta, como existem muitos casos da mulher não permitir a penetração do pênis.

Recebi ao longo dos anos, trabalhando como terapeuta sexual, mulheres casadas há um ano, cinco anos, e um caso extremo em ambulatório público de uma mulher casada há treze anos virgem.

O diagnóstico do vaginismo só deve ser feito pelo exame ginecológico, que além de evidenciar a disfunção, é capaz de precisar a intensidade do processo.

Etiologia

A literatura descreve uma grande variedade de fatores que contribuem para o vaginismo, como traumas sexuais do passado, fatores psicológicos e sociais na família de origem e dispareunia.

Fatores etiológicos são considerados importantes no tratamento.

Fatores que podem favorecer a um quadro de vaginismo:

  • Educacionais;
  • Religiosos;
  • Dispareunia;
  • Trauma sexual;
  • Conflitos conjugais;
  • Mitos e tabus;
  • Medo de engravidar;
  • Associação da sexualidade como algo sujo e repugnante.

A incidência independe de raça, idade e situações econômicas e sociais.

A incidência real é impossível de ser assinalada, porque muitas vagínicas não procuram consultórios de médicos ou psicólogos.

Tratamento

Quando recebo uma cliente no consultório com queixa de vaginismo, primeiramente procuro realizar uma anamnese (entrevista) referente à história de vida sexual, objetivando um diagnóstico mais preciso.

É essencial que a paciente já tenha sido avaliada por seu ginecologista.

O tratamento consiste essencialmente, na extinção da resposta vaginal condicionada. É importante perceber o perfil de cada paciente. A vagínica apresenta sentimentos de inadequação, insegurança, inferioridade, fragilidade, tensão e fobia diante da penetração.

É importante levantar a história da dificuldade sexual da cliente, procurando identificar as variáveis cognitivas e emocionais, medos e as fantasias. Trabalhar o parceiro, possibilitando explicar e esclarecer o processo do vaginismo para o casal, que ambos os cônjuges compreendam que a resposta é involuntária e reflexa, não intencional.

É comum que mulheres vagínicas não tenham problemas de desejo, nem tampouco com a excitação e o orgasmo. São pessoas perfeitamente responsivas, com uma boa lubrificação vaginal e considera a atividade sexual não coital, como gratificante.

Aspectos importantes para serem trabalhados na terapia sexual com mulheres que trazem a queixa de vaginismo:

  • Esclarecimento sobre a terapia sexual e explicações sobre a normalidade da sexualidade;
  • Trabalhar terapeuticamente a ansiedade e os conflitos sexuais existente;
  • Desenvolver a auto-estima;
  • Utilizar técnicas de relaxamento e estimular a percepção das próprias sensações corporais;
  • Exercícios de Kegel: contrações e relaxamento voluntário dos músculos perivaginais.

Segundo Munjack, (1984) afirma que estes exercícios musculares são benéficos de diversas maneiras:

a)    produzem aumento da vascularização pélvica;

b)    produzem aumento no tônus muscular;

c)    induzem o aumento de excitação;

d)    aumento na conscientização das sensações clitoriano-vaginais;

e)    favorecem o orgasmo na medida em que a mulher aprende a participar ativamente de sua própria resposta sexual.

Estes exercícios são realizados na privacidade do lar da cliente, onde sozinha é possível sentir-se mais tranquila para vivenciar o contato com sua própria intimidade sexual.

A cliente é instruída a observar seu intróito vaginal em um espelho e iniciar os primeiros exercícios de penetração, utilizando a princípio seu próprio dedo, superando progressivamente o medo da penetração.

Suspender nas primeiras semanas de terapia sexual, qualquer tentativa de coito, incentivando descobrir as excitações erógenas do corpo como um todo e consequentemente novas formas de viver o prazer. Só após algumas sessões, diante da melhora do quadro emocional da mulher é que progressivamente se inicia os exercícios de penetração com o pênis.

O sucesso da terapia depende, principalmente, da motivação para as mudanças e de superar suas dificuldades. A relação terapeuta-cliente, também é um fator determinante na continuidade do processo terapêutico.

O prognóstico no tratamento do vaginismo é na maioria dos casos, bastante satisfatórios, pois a maioria dos terapeutas registra considerável êxito no tratamento desta disfunção.

Buscar profissionais especializados em sexualidade humana é o melhor caminho para superar problemas sexuais masculinos e femininos.

Na terapia sexual a cliente aprende, não apenas a superar seus problemas na sexualidade, como também, na maioria dos casos, começa a perceber-se através de um novo olhar sobre si mesma e do mundo a sua volta. Desenvolve uma maior sensibilidade e cuidados com seu corpo, que consequentemente repercute na sua auto-estima.

Semíramis Prado

 

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