sexualidade e emoções

Inibição Ejaculatória

 

A inibição ejaculatória é definida como a dificuldade em ejacular durante o intercurso, ou a incapacidade de fazê-lo (Apfelbaum, 1982). Muitas vezes esta dificuldade pode ser confundida como uma anorgasmia masculina, mas são realidades distintas, pois na anorgasmia masculina o homem ejacula, porém não sente as sensações de prazer orgásmico. Geralmente não há orgasmo na inibição ejaculatória. O homem com esta disfunção pode permanecer até mais de uma hora numa relação sexual sem que consiga ejacular.

Muitos casais procuram clínicas de infertilidade por sentirem dificuldades de ter um filho, e em alguns casos, numa anamnese mais aprofundada da equipe de profissionais especializados diagnosticaram casos de inibição ejaculatória, como causa do quadro de infertilidade do casal. Nestes casos encaminhar o casal para uma terapia sexual seria o melhor caminho para a realização dos objetivos deste casal.

Alguns homens não veem como problema esta dificuldade, pois contar aos amigos que consegue permanecer um longo tempo em ereção numa relação sexual representa um motivo de orgulho, diante de todas as crenças e mitos distorcidos que aprendeu no decorrer do seu desenvolvimento psicossexual. Esta realidade se torna um problema para a maioria dos homens, quando começam a ser questionados pelas(os) companheiras(os), ou quando a não realização do prazer orgásmico começa a se tornar um incômodo, refletindo em sua auto-estima e desempenho sexual.

A inibição ejaculatória pode ser desencadeada por várias causas, que necessitam ser avaliadas. Para estes homens a masturbação se torna uma atividade mais prazerosa, e na maioria dos casos conseguem atingir o orgasmo e ejacular sem grandes dificuldades. A inibição é diante da(o) parceira(o) sexual, pois neste momento a ansiedade se apresenta, causando profundos conflitos interiores, dificultando sua performance sexual.

Segundo Apfelbaum, (1982) a inibição ejaculatória não é uma disfunção de desempenho, e sim um distúrbio do desejo sexual. No momento da relação existe uma ereção-reflexiva, e não pelo prazer de estar vivendo aquele momento. A inibição ejaculatória pode se apresentar de diversas formas. Há casos de homens que nunca experienciaram a ejaculação em relações coitas (Primária). Outros que esta dificuldade ejaculatória ocorre em determinados períodos da vida do homem (Secundária), e aqueles que têm, em determinadas situações (Situacional). Esta disfunção não ocorre com muita frequência nos consultórios de terapia sexual.

Segundo Masters e Johnson, (1985) a incapacidade ejaculatória coital ocorre na primeira relação e assim prossegue sem modificação. Apontam também, que este quadro pode conduzir a disfunção erétil secundária.

A inibição ejaculatória pode ser secundária a uma disfunção erétil, pois o homem busca o prazer orgástico, não obtendo, se desestimula e perde a ereção.

Etiologia

Masters e Johnson, (1985) referem que 42% dos homens com inibição ejaculatória primária seriam por causas associadas à ortodoxia religiosa, o medo de engravidar a parceira e desenvolvimento psicossocial traumático.

Ovesey, (1971) refere fantasias e concepções errôneas pelo indivíduo que o impedem de ejacular, evitando o mal fantasiado. Medos relacionados à penetração. Homens que se preocupam mais com o prazer da(o) parceira(o). Ansiedades relacionadas ao tamanho do pênis.

A ansiedade ligada ao tamanho do pênis e outras condições sexuais corporais são encontráveis na literatura específica como causas da inibição ejaculatória (Oswaldo Rodrigues, 1995).

Tratamento

A inibição ejaculatória pode ser facilmente tratada através de um acompanhamento psicoterápico preferencialmente de um profissional com especialização em terapia sexual, por ter além de conhecimentos mais aprofundados da sexualidade humana, tem conhecimentos de recursos das técnicas em terapia sexual para ajudar este homem a superar satisfatoriamente, e com certa brevidade, esta disfunção sexual.

A importância de uma anamnese detalhada e um diagnóstico preciso é fundamental para o sucesso da terapia.

A presença da(o) parceira(o) no trabalho terapêutico é bastante enriquecedor na terapia.

A terapia sexual permite ao homem desenvolver o aprendizado que não teve a oportunidade de realizar durante seu desenvolvimento psicossexual.

Semiramis Prado

 

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